lunes, abril 28, 2008

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Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver diz-me que é muito cedo ainda... Sinto-me febril de longe. Peso-me, não sei porquê... Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo, estagno, entre o sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar. Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-se, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.

Um vento de sombras sopra cinzas de propósitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Cai de um firmamento desconhecido um orvalho morno de tédio. Uma grande angústia inerte manuseia-me a alma por dentro e, incerta, altera-me, como a brisa aos perfis das copas.
Bernardo Soares, Na Floresta do Alheamento

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2 comentario(s):

Anonymous magister navis supone...

Aluga-se... mais um bem gelada... bacana... frango frito...
Nada más me enseñó Bahía.

¡Conchitumá, a mais grande du globo!

29 abril, 2008 22:19  
Blogger emanuel supone...

olle agregame a mi pagina i a mi msn es chrd-emanuel@hotmail.com

19 mayo, 2008 17:20  

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